Honestamente, pra mim essa tal de União Nacional dos Estudantes não passa de um formulador de novos políticos onde todos que fazem parte desta, no final da história, sempre acabam conseguindo um carguinho com algum deputado, quando não vira um, não é mesmo?
Não que eu ache um problema quem está no Movimento Estudantil um dia querer seguir a carreira política. Contudo, acho um erro gravíssimo, usar deste para se promover, com o intuito de concorrer a vereador ou deputado futuramente. Além, é claro, de aparelhar o ME em função de um partido, ou de uma organização.
Nossa mas que maldade a minha. Até parece que há alguma relação entre os "militantes" da UNE do passado, com os deputados do presente. Será???
Não é o que o texto que segue abaixo diz:
HISTÓRIA - No passado, presidentes da União Nacional dos Estudantes, hoje políticos renomados.
Fonte: Correio Braziliense – 28/05/2004
José Dirceu é o ministro-chefe da Casa Civil, o segundo homem do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Aldo Rebelo é o ministro da Coordenação Política. Contra os dois, trabalha José Serra, candidato derrotado à Presidência da República e atual presidente do PSDB, o principal partido de oposição ao governo. (...)
A rigor, mesmo nos tempos de movimento estudantil, nos complicados meandros das tendências de esquerda, os três foram adversários. Serra ligado à esquerda católica. Dirceu aos comunistas que pregavam a luta armada. E Aldo ao grupo liderado pelo PCdoB que disputou e disputa com o PT a atual hegemonia política no movimento estudantil.
(...)
Juventude politizada
Ao lado de Serra, Dirceu lembrou-se de sua prisão no congresso da UNE
Aldo, militante estudantil em um momento menos tenso, falou da experiência que conquistou no movimento. ‘‘Não conheci escola mais completa que o movimento estudantil. Sou jornalista formado, mas foi com o movimento estudantil que aprendi a escrever, a falar em público, a preparar pautas de reunião e, sobretudo, a ter disciplina’’, afirmou.
Ao final, José Gomes Talarico, ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa e um dos fundadores da UNE, entregou seu arquivo pessoal para o projeto. Os presentes cantaram então a clássica palavra de ordem do movimento estudantil: ‘‘A UNE somos nós, nossa força, nossa voz’’.
Poderosos estudantes
JOSÉ SERRA
O atual presidente do PSDB foi o último presidente da União Nacional dos Estudantes antes do golpe militar em 1964. Aluno de Engenharia Civil da Escola Politécnica de São Paulo, Serra dirigiu a UNE em um dos períodos mais conturbados da história política brasileira, e em um dos períodos de maior atuação da política estudantil no país. Serra era militante da Ação Popular (AP), organização de esquerda ligada à igreja católica. A AP tinha por objetivo ‘‘formar quadros que pudessem participar de uma transformação radical da estrutura brasileira em sua passagem do capitalismo para o socialismo’’. Como militante da AP, Serra foi o primeiro presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Em julho de 63, elegeu-se presidente no 26º Congresso da UNE. Foi um dos oradores do célebre comício na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, último ato público de João Goulart antes do golpe militar. Com a UNE posta na ilegalidade após o golpe, Serra exilou-se do país, primeiro na França e depois no Chile.
JOSÉ DIRCEU
Aluno de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, José Dirceu começou no movimento estudantil pelos braços do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1968, elegeu-se presidente da União Estadual dos Estudantes (SP). Em outubro de 1968, Dirceu era candidato à presidência da UNE. A instituição estava na ilegalidade e fazia um encontro numa fazenda em Ibiúna (SP). Antes que Dirceu pudesse ser eleito, a polícia invadiu a fazenda e prendeu 738 estudantes. A maior parte foi solta, mas líderes como Dirceu e Vladimir Palmeira ficaram presos. Em setembro de 1969, Dirceu estava no grupo que foi trocado pelo embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, seqüestrado no Rio pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro, MR-8. No exílio, Dirceu viveu em Cuba até voltar clandestino ao país em 1975. Em Havana, uma operação plástica modificou seu rosto. Com feições novas, virou o empresário Carlos Henrique Gouveia de Melo, de Cruzeiro do Oeste (PR). Só voltou a ser José Dirceu em 1979, com a anistia.
ALDO REBELO
Começou sua militância estudantil no curso de Direito da Universidade Federal de Alagoas, em 1975. Em 1977, transferiu-se para São Paulo e tornou-se membro do Diretório Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), então na clandestinidade. Aldo é um dos pioneiros do segundo momento da UNE, a sua reconstrução depois da abertura promovida pelo ex-presidente e general Ernesto Geisel, o início da redemocratização do país. Em maio de 1979, foi um dos delegados do Congresso de Reconstrução da UNE,
O último grande momento da UNE foi no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, com o movimento dos cara-pintadas.
Como podemos ver, três, dos nomes que hoje se encontram na "lista suja" já foram presidentes da UNE. E mais, é incrível ver as pessoas que eles se tornaram analisando o seu passado histórico. Exilados, presos políticos, resistentes... E hoje fazem parte da nata da sujeira política.
No final da história, hoje eles defendem a mesma coisa pela qual eles lutavam contra a 35, 40 anos.
No próximo capitulo...
Saiba mais sobre o que sucedeu com os outros presidentes desta lastimável entidade...
